sexta-feira, 16 de abril de 2010

PRECONCEITO NÃO!!!

Já há algum tempo o debate de combate às opressões tem espaço no Movimento Estudantil. Compreender que a luta por uma universidade sem machismo, racismo e homofobia é também luta dos estudantes, é uma luta que deve ser travada de modo conseqüente e cotidiano, organizando os estudantes e debatendo com eles, para que possam entender e combater o preconceito que sofrem dentro de suas estruturas e dentro da sociedade.

O debate de opressões toca também em pontos frágeis da atual estrutura de nossa universidade, e da expansão sem qualidade pela qual a UFBA vem passando. A política de cotas, por exemplo, é uma vitória enorme daqueles que
lutam pela democratização da universidade para a juventude negra e pobre de Salvador. Contudo, a falta de assistência estudantil de qualidade exclui a possibilidade destes mesmos estudantes, economicamente vulneráveis, permanecerem na
universidade. Bolsas de permanência são poucas e as residências universitárias não conseguem atender a demanda dos estudantes indígenas oriundos do interior do Estado.

A assistência estudantil, ou falta dela, também afeta de forma crucial as estudantes mulheres. A expansão da universidade trouxe novos cursos, inclusive noturnos, onde estudam boa parte daqueles que trabalham durante o dia, inclusive mulheres trabalhadoras. A creche da UFBA não consegue atender a demanda necessária durante o dia, imaginem à noite.

O debate de LGBTT não é menos importante. A universidade não é uma ilha de “democracia sexual”, e dentro dela ocorrem diversos atos de homofobia, cotidianamente. A despeito dos esforços da última gestão do DCE, e do seu “Universidade Fora do Armário”, é notável que temos tido poucos avanços neste campo. A Bahia ainda é campeã de crimes de ódio contra LGBTT's. É preciso entender
que a UFBA – e nós mesmos – somos reflexo de nossa própria sociedade, e um enfrentamento da homofobia deve se dar tanto dentro quanto fora dos muros da universidade. Estudantes LGBTT devem encontrar no DCE, um espaço de debate, articulação e fortalecimento de sua luta, e entender que essa batalha também deve ser encampada junto aos movimentos LGBTT.

Nós, da chapa 4 “Lutam Melhor Os Que Tem Belos Sonhos”, acreditamos que os estudantes tem muito o que debater e contribuir no debate de combate às opressões.

Mas, obviamente, as contribuições dos estudantes só podem ser consideradas quando ouvidas, e ouvi-las significa estar no cotidiano dos
estudantes, fazendo do DCE uma entidade presente e dinâmica, e não afastada da base e com debates institucionais, como tem sido as últimas gestões de DCE da UFBA. Acreditamos que através desta proximidade é que conseguiremos dialogar com os estudantes, para que eles reconheçam no combate às opressões uma luta que também é sua.

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