sexta-feira, 16 de abril de 2010

EXPANSÃO SIM... MAS COM QUALIDADE!

Estudar em uma Universidade pública é privilégio de
poucos, estudos comprovam que apenas 4% dos estudantes
que concluem o ensino médio conseguem superar a dura
barreira do vestibular e ingressar no ensino público superior. A
expansão das vagas e democratização do acesso as
Universidades sempre foram bandeiras defendidas pelo
movimento de estudantes e professores, principalmente se
essa expansão é direcionada para incluir na Universidade as
camadas da sociedade historicamente excluídas deste acesso.

A grande maioria destes jovens que não possuem acesso a
Universidade tem cor, são os negros e negras, filhos de
trabalhadores que ocupam as piores posições no mercado de
trabalho por conta da cruel combinação de exploração mais
opressão racial, feridas abertas em nossa sociedade.
Com a implementação do Reuni o governo Lula, com
amplo apoio das reitorias, fez uma intervenção direta nas
Universidades federais. Este projeto implementado via
decreto e aprovado em tempo recorde sem garantir a
necessária discussão democrática com a comunidade
acadêmica tem ligação direta com o projeto de reforma
universitária iniciada em 2003 e que vem dividindo opiniões
em todo o Brasil.

Ao contrário do que fazia Fernando Henrique e os
Generais do tempo da ditadura, o governo Lula para seguir
aplicando uma política para educação vinculada aos
interesses de organismos internacionais, nem um pouco
comprometidos com o desenvolvimento de nosso país, como a
UNESCO e o Banco Mundial se apropria de bandeiras
históricas de nosso movimento. Afinal alguém é contra o
aumento de vagas? Alguém é contra a entrada dos filhos dos
trabalhadores na Universidade? Queremos ou não acabar com
o vestibular?

Tudo isso o movimento estudantil sempre defendeu
junto com os professores e os movimentos sociais, o
problema é que o governo se utiliza disso para confundir os
estudantes jogando uns contra os outros, deixando-os
desarmados para defender a Universidade pública com unhas
e dentes.

Somos a favor da expansão da Universidade, mas
queremos fazer um debate franco com os colegas que
entraram na Universidade através das vagas abertas pelo
Reuni, e com aqueles que acreditam que essa é a única forma
de expansão possível.

Queremos uma expansão com qualidade custeada
através do repasse de 10% do PIB brasileiro para educação;
queremos que 10% do orçamento de cada Universidade seja
especifico para assistência estudantil; exigimos que
estudantes, professores, e servidores possam ser, através do
livre debate de idéias, protagonistas da construção desta
expansão. Essa é para nós uma maneira verdadeiramente
comprometida de se expandir a universidade, não queremos
que a UFBA continue crescendo de maneira irresponsável e se
torne uma gigante dos pés de barro.

A nossa luta não é, e nem deve ser contra os
estudantes que entraram via Reuni e hoje estão nos B'IS e
nos cursos novos. Não devemos cair nessa grave confusão. A
luta de todos os estudantes da UFBA deve ser por uma
verdadeira expansão, feita com qualidade e que nossa
Universidade possa se tornar cada vez mais pública,
democrática, gratuita e a serviço da sociedade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário