sexta-feira, 16 de abril de 2010

EM MOVIMENTO...

Para nós, viver a Universidade em toda sua
amplitude significa compreende-la como um espaço
político muito mais abrangente do que a relação professor-aluno
na sala de aula.

O movimento estudantil é a porta de entrada para
muitos jovens que a partir dele começam a se reconhecer
enquanto sujeitos históricos e políticos. Em momentos
históricos do Brasil o movimento estudantil cumpriu papel
importante, o Fora Color e a luta contra Ditadura são
grandes exemplos.

A marca do movimento estudantil ao longo de sua
história sempre foi a sua incrível disposição de lutar por
uma educação e uma sociedade melhor. A independência
política e financeira, a democracia nas discussões, e a
combatividade são princípios valorosos adquiridos no suor
de cada mobilização

Nos últimos anos muitos estudantes perderam o
interesse pelo movimento e não conseguem enxergá-lo
como um espaço atraente e capaz de contemplar seus
anseios. Isso não acontece por acaso, na Ufba a
responsabilidade disso recai em grande medida nos
ombros das últimas gestões do DCE que jogaram na lata do
lixo todos os princípios históricos do movimento estudantil.
Ao invés de confiar na própria força de mobilização dos
estudantes, preferiram estar mais próximos da reitoria
decidindo os assuntos de nosso interesse sem nos fazer
nenhuma consulta. Trocaram o debate democrático com os
estudantes e a mobilização direta pela disputa dos
espaços institucionais da Universidade que tem como
marca registrada a falta de democracia.

Um exemplo categórico disto foi o VI Congresso de
Estudantes da UFBA ocorrido no ano passado. Você não
soube? Pois é, aconteceu em 2009 um Congresso. Mesmo
sabendo da importância deste espaço privilegiado de
debates e de envolvimento político dos estudantes com a
Universidade a atual gestão do DCE o construiu de maneira
irresponsável. O resultado disto é que apenas 30
estudantes participaram do congresso e o conjunto da
Universidade não viu nem ouviu falar de sua realização.

Queremos resgatar junto com os estudantes da
UFBA as tradições do verdadeiro movimento estudantil
democrático, independente, combativo e por fim e não
menos importante LIVRE das amarras com reitorias e
governos e capaz de ir até a últimas conseqüências para
garantir uma educação de pública e gratuita e de
QUALIDADE.

PRECONCEITO NÃO!!!

Já há algum tempo o debate de combate às opressões tem espaço no Movimento Estudantil. Compreender que a luta por uma universidade sem machismo, racismo e homofobia é também luta dos estudantes, é uma luta que deve ser travada de modo conseqüente e cotidiano, organizando os estudantes e debatendo com eles, para que possam entender e combater o preconceito que sofrem dentro de suas estruturas e dentro da sociedade.

O debate de opressões toca também em pontos frágeis da atual estrutura de nossa universidade, e da expansão sem qualidade pela qual a UFBA vem passando. A política de cotas, por exemplo, é uma vitória enorme daqueles que
lutam pela democratização da universidade para a juventude negra e pobre de Salvador. Contudo, a falta de assistência estudantil de qualidade exclui a possibilidade destes mesmos estudantes, economicamente vulneráveis, permanecerem na
universidade. Bolsas de permanência são poucas e as residências universitárias não conseguem atender a demanda dos estudantes indígenas oriundos do interior do Estado.

A assistência estudantil, ou falta dela, também afeta de forma crucial as estudantes mulheres. A expansão da universidade trouxe novos cursos, inclusive noturnos, onde estudam boa parte daqueles que trabalham durante o dia, inclusive mulheres trabalhadoras. A creche da UFBA não consegue atender a demanda necessária durante o dia, imaginem à noite.

O debate de LGBTT não é menos importante. A universidade não é uma ilha de “democracia sexual”, e dentro dela ocorrem diversos atos de homofobia, cotidianamente. A despeito dos esforços da última gestão do DCE, e do seu “Universidade Fora do Armário”, é notável que temos tido poucos avanços neste campo. A Bahia ainda é campeã de crimes de ódio contra LGBTT's. É preciso entender
que a UFBA – e nós mesmos – somos reflexo de nossa própria sociedade, e um enfrentamento da homofobia deve se dar tanto dentro quanto fora dos muros da universidade. Estudantes LGBTT devem encontrar no DCE, um espaço de debate, articulação e fortalecimento de sua luta, e entender que essa batalha também deve ser encampada junto aos movimentos LGBTT.

Nós, da chapa 4 “Lutam Melhor Os Que Tem Belos Sonhos”, acreditamos que os estudantes tem muito o que debater e contribuir no debate de combate às opressões.

Mas, obviamente, as contribuições dos estudantes só podem ser consideradas quando ouvidas, e ouvi-las significa estar no cotidiano dos
estudantes, fazendo do DCE uma entidade presente e dinâmica, e não afastada da base e com debates institucionais, como tem sido as últimas gestões de DCE da UFBA. Acreditamos que através desta proximidade é que conseguiremos dialogar com os estudantes, para que eles reconheçam no combate às opressões uma luta que também é sua.

EXPANSÃO SIM... MAS COM QUALIDADE!

Estudar em uma Universidade pública é privilégio de
poucos, estudos comprovam que apenas 4% dos estudantes
que concluem o ensino médio conseguem superar a dura
barreira do vestibular e ingressar no ensino público superior. A
expansão das vagas e democratização do acesso as
Universidades sempre foram bandeiras defendidas pelo
movimento de estudantes e professores, principalmente se
essa expansão é direcionada para incluir na Universidade as
camadas da sociedade historicamente excluídas deste acesso.

A grande maioria destes jovens que não possuem acesso a
Universidade tem cor, são os negros e negras, filhos de
trabalhadores que ocupam as piores posições no mercado de
trabalho por conta da cruel combinação de exploração mais
opressão racial, feridas abertas em nossa sociedade.
Com a implementação do Reuni o governo Lula, com
amplo apoio das reitorias, fez uma intervenção direta nas
Universidades federais. Este projeto implementado via
decreto e aprovado em tempo recorde sem garantir a
necessária discussão democrática com a comunidade
acadêmica tem ligação direta com o projeto de reforma
universitária iniciada em 2003 e que vem dividindo opiniões
em todo o Brasil.

Ao contrário do que fazia Fernando Henrique e os
Generais do tempo da ditadura, o governo Lula para seguir
aplicando uma política para educação vinculada aos
interesses de organismos internacionais, nem um pouco
comprometidos com o desenvolvimento de nosso país, como a
UNESCO e o Banco Mundial se apropria de bandeiras
históricas de nosso movimento. Afinal alguém é contra o
aumento de vagas? Alguém é contra a entrada dos filhos dos
trabalhadores na Universidade? Queremos ou não acabar com
o vestibular?

Tudo isso o movimento estudantil sempre defendeu
junto com os professores e os movimentos sociais, o
problema é que o governo se utiliza disso para confundir os
estudantes jogando uns contra os outros, deixando-os
desarmados para defender a Universidade pública com unhas
e dentes.

Somos a favor da expansão da Universidade, mas
queremos fazer um debate franco com os colegas que
entraram na Universidade através das vagas abertas pelo
Reuni, e com aqueles que acreditam que essa é a única forma
de expansão possível.

Queremos uma expansão com qualidade custeada
através do repasse de 10% do PIB brasileiro para educação;
queremos que 10% do orçamento de cada Universidade seja
especifico para assistência estudantil; exigimos que
estudantes, professores, e servidores possam ser, através do
livre debate de idéias, protagonistas da construção desta
expansão. Essa é para nós uma maneira verdadeiramente
comprometida de se expandir a universidade, não queremos
que a UFBA continue crescendo de maneira irresponsável e se
torne uma gigante dos pés de barro.

A nossa luta não é, e nem deve ser contra os
estudantes que entraram via Reuni e hoje estão nos B'IS e
nos cursos novos. Não devemos cair nessa grave confusão. A
luta de todos os estudantes da UFBA deve ser por uma
verdadeira expansão, feita com qualidade e que nossa
Universidade possa se tornar cada vez mais pública,
democrática, gratuita e a serviço da sociedade.

ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL!

Nós estudantes temos muita
dificuldade em permanecer na
Universidade. Justamente por
estarmos em um período de
formação não temos o tempo
necessário para trabalhar e, ao
mesmo tempo, nos dedicar o
quanto gostaríamos aos estudos,
q u a n d o , m e s m o a s s i m ,
procuramos um trabalho somos
jogados para fazer os piores sendo
mal remunerados.

Garantir educação de qualidade
é mais do que ter professores em
sala de aula, precisamos de
condições materiais para estudar e nos transformarmos em
bons profissionais. Condições pra estudar significa bolsas de
estágio com remunerações dígnas, alimentação digna, espaço
decente pra morar, especialmente para quem vem do interio
etc.

Aqui na UFBA as residëncias são insuficientes para a
demanda (não há nenhuma previsão de aumento significativo
com o aumento das vagas) e extremamente precárias. Faltam
recúrsos mínimos como material didádico, computadores; a
alimentação não é de qualidade, não há acompanhamento de
rotina e preventivo de profissionais da PROAE, apenas de
caráter emergencial. O transporte inter-campi é outra
promessa esquecida pela reitoria.
Uma pesquisa realizada em 2003-2004 pelo Fonaprace
(Fórum Nacional de Pro-reitores de Assuntos Comunitários e
Estudantis), órgão do próprio governo federal, constatou que
43% dos estudantes possuem baixa renda e necessitam de
assistência estudantil; 42,9% precisam de moradia por serem
migrantes ou já estarem vivendo separados de suas famílias (as
residências universitárias atendem apenas 2,4% desses
estudantes);24,7% necessitam de restaurante universitário
(RU) para estudar; 35,4% exercem atividades não acadêmicas
remuneradas para se sustentar, existem bolsas para menos de
20% dos estudantes, sendo que os estudantes que menos
precisam de remuneração ocupam a maior parte das bolsas;
36,9% apresentam necessidades significativas ou crise
emocional no último ano do curso e 39,5% no início; mais de
60% usam ônibus para chegar ao seu local de estudos e por
último 47% dos estudantes desistem do curso pela falta de
assistência.

Este estudo só comprova a validade de nossa luta, o
ponto de partida do problema da assistência estudantil é
político. O governo federal e as reitorias sabem que ele existe só
que o encaram como um gasto. Para nós assistência estudantil
é um investimento fundamental na garantia da permanência do
estudante e de uma formação com qualidade.
Defendemos:
-Bolsas de ensino, pesquisa e extensão para todos!
-Abertura imediata do Restaurante Universitário!

A quantas anda???

Ser estudante da Ufba exige uma boa dose de
sacrifício, outra de paciência, e mais outra de obstinação.
Definitivamente não e fácil conviver com as diversas
barreiras que encontramos pelo caminho. Em muitos
cursos os problemas estruturais tiram o sono de todo
mundo, em São Lázaro por exemplo, o novo pavilhão de
aulas inaugurado no ano passado é um verdadeiro
tormento.

Frequentemente os estudantes se deparam
com falta de água tanto nos banheiros como nos
bebedouros, as salas de aula alem de quentes,
apresentam rachaduras, pra piorar o prédio é
administrado diretamente pela reitoria e não pela direção
da faculdade o que dificulta ainda mais a resolução dos
problemas.

Se sairmos de São Lazaro e formos da uma
passada nas residências não precisaremos de 5 minutos
para ter uma noção do drama que nossos colegas
enfrentam. As residências da Ufba estão sendo
conscientemente sucateadas pela reitoria, a falta de
apoio se evidencia por todos os lados e muitos estudantes
que vieram do interior para estudar acabam desistindo de
seus sonhos e retornando para suas cidades. Seguindo
com nosso passeio chegamos ate as bibliotecas, não
existem livros suficientes para atender a demanda de
estudantes nos empurrando para as longas filas da xérox,
a situação é pior nos cursos novos que necessitam de
obras especificas que o acervo muitas vezes
desatualizado é incapaz de suprir.

Encerramos nosso passeio, que poderia ser muito maior ocupando todo o
espaço do nosso jornal, com o símbolo do descaso com a
assistência estudantil. Quando a fome aperta, o
estudante da Ufba ainda não tem um restaurante
universitário a sua disposição, isso porque ha 8 anos
mesmo com equipamentos comprados ele segue
fechado. A UFBA é uma das únicas Universidades federais
que não possuem um R.U.

Ufa! É muita coisa, se combinamos tudo isso podemos
compreender que estes problemas são um obstáculo
objetivo para nossa formação com qualidade. Organizar
os estudantes para juntos superar estas barreiras é a
tarefa do DCE.

Universidade!

O grande debate que nossa chapa quer
fazer com todos os estudantes é o da qualidade na
educação. Acreditamos que esse tema é de
fundamental importância no momento em que
vivemos uma transformação de nossa
Universidade.

Ao contrário do que a TV, os empresários e
os governos vem tentando nos convencer nos
últimos anos consideramos a educação pública
imensamente superior a educação privada. Não
nos deixamos enganar pelos discursos que
afirmam que tudo que é publico não presta e o
privado é sempre mais eficiente e de melhor
qualidade. As Instituições privadas trabalham
com a lógica de obtenção de lucros e de
produção voltada para o mercado. Cabe a
Universidade pública o papel de formar
profissionais e produzir conhecimento a
serviço da sociedade.

Para isso é imprescindível autonomia e
democracia na sua gestão; é imprescindível
recursos, verbas; enfim, condições de
qualidade para uma expansão de verdade!

OPOSIÇÃO DE ESQUERDA AO DCE!

De fato caminhamos rumo à democratização da
Universidade pública? A política de expansão tão
propagandeada pelo governo, reitoria e DCE, garante a
permanëncia dos estudantes de baixa renda na
universidade? Queremos uma expansão de verdade!

Expansão com qualidade! A expansão via Reuni foi
implementada até aqui sem debates democráticos
entre todos as categorias interessadas, ameaça
fragmentar a indissociabilidade entre ensino-pesquisaextensão
e enfraquecer a dimensão da produção
independente de conhecimento.

Temos motivos de sobra para não confiar em
uma reitoria que desde 2004 promete e até hoje não
abriu o restaurante universitário, temos motivos de
sobra para nos indignarmos com o descaso com as
residências universitárias cada dia mais sucateadas, e
também desconfiamos de um projeto de expansão da
universidade implementado via decreto sem garantir a
discussão democrática e o choque de idéias um projeto
que não garante um aumento de verbas proporcional
ao aumento de vagas, e por isso não garante qualidade
na expans.

Ainda sim, acreditamos que as respostas para as
perguntas que fizemos acima devem ser dadas pelo
conjunto dos estudantes e tornar cada um de nós voz
ativa na construção da universidade que queremos é o
papel do DCE.
Para nós, cada demanda específica dos diversos
cursos da Ufba tem um valor fundamental. A falta de
um bebedouro, de sala de aula, de um CPD, de livros
nas bibliotecas, de um restaurante universitário, de
assistência estudantil, todas essas necessidades se
combinam em uma: a luta por uma educação pública
gratuita e de qualidade.

Queremos um DCE independente da reitoria e
de governos, autônomo, e que confie apenas na força
da mobilização dos próprios estudantes para fazer valer
aquilo que acreditamos.